Você provavelmente já viu nas redes sociais: um morango suculento, mergulhado em leite condensado e coberto com chocolate ou confeitos. Batizado de “Morango do Amor”, esse doce virou sensação no Brasil inteiro e conquistou filas em feirinhas, quiosques e confeitarias. Para surpresa de muita gente: o nome é uma marca registrada desde 2010.

Neste artigo, você vai entender o que é o “Morango do Amor”, por que ele viralizou, qual o preço médio e como fazer em casa. Mais importante: descobrirá o que significa uma marca registrada e como isso pode proteger (ou complicar) o seu negócio.

O que é o “Morango do Amor” e como ele viralizou?

O “Morango do Amor” é um doce artesanal que combina morango fresco com recheio cremoso de leite condensado e cobertura de chocolate (geralmente, chocolate derretido ou granulados coloridos). A receita não tem nada de muito complexo, mas o visual é francamente irresistível.

A febre começou quando vídeos de influencers como Igor Rocha, mostrando o preparo rápido e a explosão de sabor, tomaram conta do TikTok e do Instagram. Pequenos empreendedores perceberam a oportunidade e começaram a vender o doce em eventos, praças e feiras por todo o território nacional, com preços acessíveis e apresentação bem caprichada.

O que é o “Morango do Amor” e como ele viralizou
Fonte/Reprodução: original – Morango do Amor

Reportagens apontam picos de demanda e números de venda no mínimo inusitados para um doce artesanal, com casas no Rio chegando a mais de 3.000 unidades vendidas em um único dia e mais de meio milhão de unidades entregues em todo o país. Isso em apenas um só mês!

Ao mesmo tempo, essa popularidade acendeu uma luz amarela: o nome “Morango do Amor” não é expressão livre no comércio. É uma marca registrada há anos, o que muda bastante o jogo para quem pensa em vender usando essa denominação.

Qual o preço do “Morango do Amor”?

O preço do Morango do Amor costuma variar bastante, mas em geral o varejo cobra de R$ 5,00 a R$ 15,00 por unidade, enquanto releituras premium da receita podem custar muito mais, a depender dos insumos e apresentação do docinho. 

A febre chegou a afetar o valor de mercado da fruta: em São Paulo, dados do final de julho indicam que o quilo do morango comum chegou à casa de R$ 48,07, mais que o dobro em comparação ao início do mês, o que reflete uma combinação de altíssima demanda e fatores sazonais.

Em centrais de abastecimento, comerciantes relataram bandejas e caixas de morango com preços bem acima do normal durante o pico, seguidos de ajustes pontuais conforme a oferta se normaliza. Em síntese: a precificação do doce por região e formato (artesanal vs. industrial), e o buzz elevaram a percepção de valor, principalmente quando acompanhados de apresentação diferenciada.

Receita tradicional do “Morango do Amor”

A receita tradicional do doce é muito simples. Resumidamente, ela leva:

Algumas variações regionais baianas misturam a bala baiana com o morango, o que torna o doce irresistível, fácil de replicar e de viralizar. Contudo, existem também outros sabores, contendo pistache, creme de avelã e chocolates nobres (que aumentam significativamente o preço do docinho). 

Para o leitor, a mensagem prática é: a receita é reproduzível, mas a discussão aqui é outra. O ponto sensível está no uso do nome no comércio, não no preparo do doce. 

Você sabia que o “Morango do Amor” é marca registrada desde 2010?

Sim. O nome “Morango do Amor” está registrado desde 2010, pela Peccin S/A; mas não se engane, não é devido ao doce caseiro que se popularizou nas redes, mas sim de uma classe de alimentos que inclui balas, pirulitos, chicletes e chocolates. Isso está amplamente noticiado por veículos que apuram o registro no INPI.

O que isso quer dizer? Bom, significa que, quando você – ou seu aspirante a empreendedor – usa esse nome para vender doce igual ao viral, está tateando, sem perceber, o campo minado da Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96). 

Você sabia que o “Morango do Amor” é marca registrada desde 2010
Fonte/Reprodução: original – Morango do Amor

Em termos práticos, a exploração comercial do nome por terceiros, na mesma classe ou em segmento similar, pode configurar uso indevido e ensejar medidas administrativas, judiciais e até criminais, conforme a situação.

Entretanto, ter a receita não dá direito automático ao nome. Receita é uma coisa; a marca é outra. Marca registrada serve para distinguir produtos ou serviços e confere exclusividade de uso na classe protegida.

Vantagens de registrar uma marca (o exemplo do “Morango do Amor”)

Registrar a marca é o que pode transformar um nome forte em um verdadeiro ativo de negócio. Entre as principais vantagens, podemos destacar:

Esses pontos refletem precisamente a lógica do registro de marca no Brasil, a saber: distinguir, proteger e viabilizar a exploração econômica legítima por parte do titular.

Riscos de usar uma marca registrada sem autorização (cuidado com o Morango Proibido)

Se você vende um produto utilizando o nome “Morango do Amor” na embalagem, no cardápio, rótulo ou nome comercial, incorre em riscos concretos, tanto judicialmente, como administrativa e criminalmente (a depender do caso). 

Se formos listar os riscos reais daqueles que fazem uso indevido do nome da marca, estão inclusos:

Além disso, devemos mencionar dois esclarecimentos importantes. 

Primeiro, a efetivação do risco depende da iniciativa do titular. No Brasil, o titular é quem costuma acionar medidas para defender a marca. 

Segundo, os usos não comerciais e contextuais em vídeos, memes, reportagens e afins, tendem a não configurar infração, pois o direito está orientado a evitar confusão do consumidor na identificação de produtos ou serviços. O verdadeiro problema surge quando há exploração comercial ou sugestão de origem/associação indevida.

Como registrar sua própria marca no INPI?

O processo pode ser conduzido pelo próprio empreendedor ou com alguma forma de apoio especializado, como oferecido no Ideia Segura. Em linhas gerais: 

  1. Deve-se realizar a busca de anterioridade a fim de verificar colisões com marcas existentes;
  2. Realizar a definição da classe (Classificação de Nice) e do escopo de proteção;
  3. Protocolar o pedido no sistema do INPI e realizar o pagamento das taxas (GRU);
  4. Acompanhar as exigências, oposições e prazos do processo;
  5. Com a concessão do certificado em mãos, guarde-o e monitore atentamente o uso de terceiros.

Os prazos usuais do processo variam entre 18 e 22 meses, sendo possivelmente mais abreviado quando não há oposição relevante. Além disso, o registro confere até 10 anos de proteção, renovável por períodos iguais. A página oficial do governo descreve os serviços e as bases legais aplicáveis. Para tirar mais dúvidas ou registrar a sua marca sem dor de cabeça, fale com a equipe de especialistas do Ideia Segura.

Por que o registro de marca protege seu negócio?

Além de impedir que terceiros surfem na sua reputação e confundam o consumidor, o registro é um ativo contábil: soma valor à empresa, viabiliza licenciamento e franquias, e facilita ações contra infratores. Sem ele, a porta fica aberta para disputas, rebranding forçado e perda de mercado.

O causo do “Morango do Amor” é um lembrete útil: viralizar não dá passe livre para usar um nome no comércio. A marca está registrada desde 2010 por uma empresa do setor, e usar a expressão comercialmente, em produtos afins, pode gerar notificação, processo e prejuízo. Se você tem um doce, um produto ou um novo serviço com potencial, proteja antes de escalar

Fale com o Ideia Segura para realizar a busca de anterioridade, definir a classe correta e protocolar o seu pedido com segurança e acompanhamento integral do processo. A assessoria especializada reduz erros, encurta o caminho e protege você do retrabalho jurídico. 

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